domingo, 20 de agosto de 2017

Como você lida com as frustrações?

Receber um “não” é sem dúvidas, frustrante, afinal, ele corresponde a uma negação da satisfação de um desejo ou de uma necessidade que não depende unicamente de nós. Quando somos crianças não compreendemos bem as regras sociais, e somos movidos pelo desejo imediato, embora muitas vezes ele nada tenha a ver com uma real necessidade. Pedimos para a mãe nos deixar comer o doce antes do almoço e somos frustrados ao ouvir: “Agora não”. Choramos, tentamos barganhar, batemos o pé, brigamos, tudo em prol de satisfazermos a nossa vontade, de sermos atendidos, de ganharmos o conflito.
Acontece que conforme os anos passam, as regras sociais exigem que o indivíduo se adapte à elas, deixando de lado muitas vezes a sua própria vontade. Logo, o controle das próprias emoções se torna fundamental para uma convivência pacífica em sociedade. Contudo, algumas pessoas possuem dificuldade em se adaptar a regras, principalmente porque elas geralmente exigem responsabilidade e abdicação dos próprios prazeres.
Provavelmente você já ouviu a expressão: “Não sabe perder!”. Algumas pessoas não admitem uma frustração, apresentam dificuldade em aceitar determinada perda (por mais banal que ela possa parecer: jogos, competições, promoções…), e assim entram em contato com vários sentimentos que possuem representações extremamente dolorosas, geralmente associados aquilo que o “não” representava para elas na infância, agindo deste modo, como se ainda fossem crianças.
Há quem fique triste e melancólico, fazendo da perda uma barreira para a busca de novos “sim’s”, há quem considere que o “não” que fora recebido corresponde a uma punição por não ser merecedor, ou bom o suficiente, deste modo afetando a própria auto estima e podendo desenvolver quadros depressivos. Mas há também quem fique irritado e com dificuldade de controlar a própria raiva, agredindo verbal ou até fisicamente qualquer pessoa que tente amenizar a situação.
A capacidade de lidar com frustrações está diretamente ligada a forma como o indivíduo aprendeu a se ver diante da vida. Este aprendizado é construído ao longo da história de vida de cada pessoa, a forma como os pais ou educadores ensinaram a criança a lidar com perdas contribui significativamente para o modo dela se enxergar em sociedade.
Pessoas com comportamento imediatista, que lidaram precariamente com frustrações ou que não entraram em contato com elas porque conseguiram a satisfação de todas as suas vontades seja através de um choro, de um grito, birra ou briga, aprenderam que este é um meio de conseguir o que desejam, e diante do recebimento de um “não” agem desta mesma forma buscando transformá-lo em um “sim”. A agressividade diante da frustração também é comum em quem não aprendeu a pensar em sociedade, ou seja, além do seu próprio bem estar, deste modo, direta ou indiretamente descontam a raiva que sentem em quem se aproximar ou interromper os seus desejos.
Para lidar com as frustrações de forma saudável e adulta, é necessário analisar os sentimentos que um “não” causa, estes sentimentos precisam ser analisados para que seja identificada a sua origem e elaborada a sua causa. Esta alternativa é importante porque contribui para que o indivíduo reestruture a forma de ver a vida e também de se enxergar nela.
Compreender que desejos não são o mesmo que necessidades também é importante para a aceitação da frustração, quando a frustração for designada a uma necessidade, é fundamental que o indivíduo busque meios de exercer os seus direitos.
Aprender com o resultado das ações pregressas: brigas, discussões, conflitos, também auxilia no enfrentamento da frustração com uma nova ação, mais condizente com a idade e com a responsabilidade que se tem.
Por isso, ao perceber que você tem dificuldade de controlar as suas emoções diante de uma frustração, procure identificar os pensamentos e as sensações que surgem e busque auxílio psicológico para elaborar suas questões e aprender a administrar de forma saudável os “não’s” recebidos ao longo da sua vida.

Como você tem buscado a sua felicidade?

As exigências sociais, cada vez mais orientadas pela exposição da própria felicidade através das redes sociais possuem um implicante muito importante a ser analisado: a sensação de obrigatoriedade em se encaixar em padrões estabelecidos culturalmente.
E, diante das tentativas em se encaixar naquilo que é considerado bom para um determinado público, ás vezes acabamos relembrando dores há muito esquecidas, ou ainda, desenvolvendo consequências difíceis de serem administradas devido a crença que temos a nosso respeito diante da dificuldade em ser como as “pessoas felizes” são.
Ter vários amigos, frequentar diversos eventos, estar envolvido em alguns projetos sociais e profissionais, buscar constantemente novas paixões, novas ocupações, são comportamentos que implicam em movimento e este, muitas vezes é associado a felicidade. Contudo, em alguns momentos o movimento e a busca incessante por felicidade podem representar fugas de dores emocionais, e ou, pode indicar insegurança pessoal, afinal, quando seguimos os modelos de felicidade de alguém, confirmamos a dificuldade que temos em construirmos os nossos próprios modelos.
Estas exigências embora se dêem de forma velada, ou seja, nem sempre vem através de pedidos alheios, mas sim através das próprias comparações que fazemos com relação ao que o outro expõe, precisam ser observadas não como regras para conquistar a tão almejada felicidade, mas sim, como possibilidades, estratégias, alternativas para se sentir feliz.
Diante do término de um relacionamento conjugal por exemplo, algumas pessoas partem na busca de novas ocupações, formas de preencher a dor da frustração originária da perda do seu objeto de amor. Assim, tentam curar suas dores preenchendo todos os espaços vazios dentro de si, contudo, ainda assim não se sentem feliz porque a ocupação não é o alimento certo para preencher aquela dor mais profunda: a da perda. E dessa forma se sentem ainda mais distantes da felicidade, afinal, lidam tanto com a frustração originária da perda quanto com os sentimentos vinculados a impotência e ou incapacidade diante das tentativas de serem felizes.
Desta forma aprendem a substituir prazeres ao invés de curar dores, e, alimentam continuamente a própria insatisfação pessoal, retardando o processo de luto que é tão importante diante de perdas afetivas.
Se, diante das tentativas de se encaixar naquilo que representa ser feliz para o outro você se sentir frustrado, triste, irritado, preste atenção naquilo que você tem feito consigo. Todos nós possuímos capacidade de autoregulação, logo, todas as respostas necessárias para abrandar o sofrimento estão conosco, o que dificulta o acesso à elas é a tendência em buscarmos externamente, através de modelos estabelecidos, o caminho para a felicidade.
Cada indivíduo tem seu conceito de felicidade, contudo, algumas pessoas desconhecem o seu, por isso também que tentam viver aquilo que para o outro faz sentido. Esta tentativa é válida porque demonstra a busca por satisfação e logo, a necessidade de dar novos sentidos para a vida, contudo, se ao insistir nestes modelos você se perceber frustrado e insatisfeito, reconheça a importância de retornar para si e buscar internamente as respostas para as suas próprias perguntas.
Ás vezes você só precisa parar, descansar, e estar consigo. Ás vezes o vazio emocional não é devido a falta de companhia, mas sim da falta de respeito e de amor consigo.

domingo, 6 de agosto de 2017

O que você tem esperado da vida é compatível com o que você tem investido nela?

É comum a muitas pessoas o desejo de receber da vida a satisfação de todas as suas necessidades e desejos. Você provavelmente já quis muito que o outro o satisfizesse sem que para isso você tivesse que pedir o que precisava ou queria, ou ainda, já sentiu muita raiva por não ter sido atendido por quem você queria, no momento que queria e do jeito que você queria.
Para a psicoterapia corporal, ou Reichiana, uma abordagem da psicologia que busca compreender os comportamentos e emoções através da relação entre os bloqueios corporais e emocionais; estas características mencionadas acima correspondem ao traço de caracter chamado oral, que corresponde amplamente, a um padrão emocional e comportamental fixado na fase de desenvolvimento oral. O conflito básico do oral diz respeito ao seu direito de receber suporte afetivo, a sensação de privação é que faz com que ele queira receber sempre mais afeto e prazeres em geral, podendo negar as responsabilidades que a vida exige e dispensar toda forma de se esforçar para obter algo embora queira muito este “algo”. Como sente em si uma falta muito grande, solicita muito do outro o preenchimento das suas carências, podendo ficar depressivo ao entrar em contato com as suas “ausências”, e ficando agressivo quando é privado daquilo que quer.
O duelo entre dependência e independência é uma constante também na vida do oral, pois, do mesmo modo que poderá querer receber amor, poderá devido ao medo da frustração, negar qualquer manifestação de amor numa tentativa de evitar uma hipotética rejeição, esta também é uma forma de afirmar que “não precisa de ninguém” e assim evitar novamente o medo de não ser satisfeito pelo o outro embora o seu desejo íntimo é ser amparado e satisfeito por alguém.
É comum que responsabilizem o outro ou o mundo pelas suas frustrações e tristezas, pois não conseguem enxergar-se protagonistas diante da vida, se vêem apenas como o “mocinho” ou a “mocinha” que se tornam vítimas dos vilões da vida que ora são representados pelo (a)  chefe, cônjuge, amigos, pais…
O grande desafio de quem possui predominantemente este traço de caracter é conseguir se suprir emocionalmente se tornando independente de forma saudável e não forçada, compreendendo que não é mais um bebê e que precisará construir o seu mundo de acordo com as suas próprias demandas.
Todos tem o direito de se sentir tristes por não serem atendidos, mas a situação para que não envolva sofrimento precisa ser vista de forma realista e não através das próprias neuroses de rejeição, privação ou abandono que o indivíduo possui e que foram originadas na infância, predominantemente em momentos onde ele enquanto criança precisava receber suporte afetivo. São estes conflitos que contribuem para sofrimentos diante de situações que por si só não tem esta implicação diretamente na vida adulta.
Por isso, antes de perguntar se o outro está sendo uma boa pessoa para você, se questione se você tem sido uma boa pessoa para si. Utilize o amor próprio para construir a sua maturidade emocional e assim, se tornar protagonista da própria vida. Embora o mundo não corresponda a todas as expectativas que criamos, podemos nos aproximar da nossa satisfação fazendo a nossa parte, e é este movimento de investir naquilo que se quer que  contribuirá para a própria felicidade, que precisa ser desenvolvido, sem raiva, orgulho e prepotência, mas simplesmente pela compreensão que por mais que se queira, o mundo não é uma eterna mãe e nós, não somos eternas crianças.
Reflita sobre como você tem se relacionado com o mundo e quais expectativas você tem criado para com ele e com as pessoas em geral, e observe como você tem contribuído com a sua parte para a satisfação dos seus desejos e necessidades. Deste modo, procure auxílio psicológico para elaborar os conflitos que orientam os comportamentos, esta ação corresponde a dar um passo em direção ao auto cuidado e ao respeito por si, além de ser um investimento em relações mais saudáveis e maduras.

domingo, 23 de julho de 2017

Está tudo bem não estar tudo bem

Tem dias que você sente que as coisas ao seu redor não estão tão legais como nos outros dias, que situações que há um dia atrás eram facilmente contornadas ganham da noite pro dia um peso imenso e exigem muito esforço para lidar com elas. As pessoas estão “chatas”, o ambiente está “pesado”, o dia está “feio”. Até que alguém pergunta: “Tudo bem?” E você percebe que realmente não está, que não foram as coisas que mudaram da noite pro dia, foi você que não acordou tão resiliente assim.
Pessoas que são rígidas consigo mantém um padrão de exigência com o outro mas principalmente com elas mesmas, e por isso sentem dificuldade em tolerar quando não estão tão bem como acham que deveriam estar. Não conseguem acolher as próprias limitações emocionais e possuem a tendência em mascarar o que sentem, ou ainda, inconscientemente se desconectam das próprias sensações e adotam comportamentos padronizados como forma de garantir que vai ficar tudo bem: forçam um sorriso, insistem em atividades custosas, negligenciam os “sinais” de que não está tudo bem assim.
Todas as emoções e sentimentos possuem uma origem, um motivo para estarem ali. Porém as vezes não conseguimos identificar o que existe por trás daquela tristeza, da irritabilidade, da angústia, apenas sentimos que não estamos como nos demais dias. E neste momento, ao nos darmos conta de que não é o dia que ficou “ruim” de repente, mas que é o nosso olhar sobre ele que o fez ficar “ruim”, que precisamos nos questionar: “O que eu estou precisando neste momento?”
Quando fizemos pausa nos julgamentos com relação ao que sentimos e sobre a nossa falta de resiliência, passamos a escutar verdadeiramente as mensagens que nosso corpo está mandando. Ás vezes só precisamos de um descanso, de uma pausa no modo automático de viver, ás vezes precisamos de uma companhia que acolha os nossos sentimentos, ou ainda, de um tempo sozinhos. E se nos ouvirmos com sensibilidade, treinando a censura para que ela dessa vez fique longe dos nossos desejos, conseguimos parar de lutar contra aquilo que precisamos no momento e passamos a nos acolher integralmente.
Este acolhimento que buscamos geralmente no outro, precisa antes de tudo ser desenvolvido por nós mesmos. E a melhor forma de desenvolvê-lo é minimizando a auto censura, os julgamentos e a exigência de que temos sempre que “dar conta” das próprias emoções. Cada vez que negamos a forma como nos sentimos aumentamos o sentimento de insatisfação porque vamos agir não de acordo com o que o nosso sentimento está nos pedindo mas sim de acordo com o que julgamos que ele deveria pedir.
A recorrência de períodos de tristeza ou irritabilidade precisam ganhar atenção, e a melhor forma de se acolher nestes momentos é buscando auxílio psicológico. Se você hoje não está se sentindo tão bem como gostaria de estar, perceba o que seu corpo está pedindo e de que forma você pode atender a este pedido de forma saudável, para se reequilibrar e fortalecer a sua resiliência para os próximos momentos.
Está tudo bem não estar tudo bem, acolha os seus sentimentos ao invés de negá-los ou de querer transformá-los racionalmente. Seja amigo (a) de quem você é e evite sobretudo censurar o que você está sentindo.

Qual o significado da sua vida?

Há quem siga correndo pela vida numa busca desenfreada para conquistar a tão almejada felicidade, há quem viva no modo “automático”, outros, “levando” ou “empurrando” a própria existência com olhos desvitalizados e com o corpo cansado, há também quem se entusiasme a cada dia e busque nele sentidos para a caminhada. Independentemente do modo como cada um vive, todos possuem o mesmo desejo: sentirem-se felizes.
Cada indivíduo possui registros de satisfações que foram construídos a partir das suas primeiras experiências. Cada desejo satisfeito, cada necessidade atendida contribui para que ele desenvolva inconscientemente fantasias a respeito da própria felicidade. Geralmente essas promessas de felicidade são depositadas em algo ou em alguém. É assim que fazemos projetos de vida, nos lançamos à desafios, construímos felicidades para cada etapa de vida. Se quando somos crianças nossa maior felicidade é brincar e ter o colo dos pais, quando nos tornamos adolescentes vislumbramos na liberdade a tão esperada felicidade, as escolhas profissionais, os relacionamentos também constituem tais promessas de felicidade que surgem a partir de cada etapa do desenvolvimento.
Contudo, quando não há equilíbrio entre prazer e realidade, ou seja, quando todo o investimento gira em torno de uma única conquista, ocorre um fortalecimento da fantasia, e é onde se passa a acreditar que somente a obtenção daquilo que se quer é que trará a verdadeira satisfação, ou ainda, a tão almejada felicidade.
Baseado neste contexto, algumas pessoas tem dificuldade de se reestruturar após uma frustração. Como colocaram nas mãos de algo ou de alguém o sentido da própria vida, quando não conquistam o que desejam passam a acreditar que não existe mais possibilidades de serem felizes, perdem as esperanças e desenvolvem de acordo com cada estrutura de personalidade, comportamentos decorrentes da culpa que sentem, ou da raiva, vitimização, agressividade, desdém…
É importante que seja analisado onde estamos colocando as nossas expectativas, e de que forma estamos caminhando ao encontro das conquistas que almejamos. Ás vezes, o indivíduo procura desenvolver um relacionamento saudável, contudo, age evidenciando o outro e se negligenciando na relação, ou seja, o sentido da própria vida dele acaba sendo incongruente e a tendência a frustração se torna maior que a da própria realização.
Por isso é fundamental observar por que estamos caminhando de determinado modo, e além disso, por que construímos tal desejo como ideal para a nossa satisfação. É necessário ter cautela com a tendência a se deixar influenciar por ideais de felicidade, pois, a crença em uma receita única para a satisfação pode contribuir para quadros de insegurança, baixa auto estima, insatisfação e despersonalização.
Outro ponto importante é sobretudo, manter a atenção na realidade para compreendermos que a vida pode ter vários sentidos, e que a frustração de uma conquista não precisa ganhar mais poder do que as outras várias possibilidades de felicidade.
Por isso, perceba qual o significado que você quer dar para a sua vida e de que forma está indo ao encontro dele. E sobretudo, avalie se você realmente se identifica com este significado, afinal, a vida é sua e somente você poderá dar o seu sentido à ela.

Essa pressa faz sentido?

Você já se perguntou sobre o porque de estar correndo tanto? Diariamente lidamos com cobranças externas que nos dizem que precisamos ser os melhores profissionais dentro da nossa área de atuação, que precisamos ser o melhor filho, pai, marido, esposa, amiga, nora… E na tentativa de atingir todas essas expectativas sociais, esquecemos de questionar se realmente queremos ser os melhores, e mais ainda, o que realmente significa  ser melhor para nós.
Todo o esforço para atingir um ideal seja ele pessoal ou profissional ignora a realidade. É que parâmetros como melhor ou pior dependem de várias circunstâncias e principalmente, partindo deste raciocínio, do olhar do outro para serem considerados como tal. E quando consideramos que existe um outro capaz de avaliar se somos bons ou não, precisamos entender que  somente poderemos fazer o que está dentro das nossas limitações, contudo, que a avaliação poderá ser baseada no que fizemos ou simplesmente na forma como o outro por diversos motivos nos considerou.
É por isso que é tão importante termos definido individualmente o que é bom e ruim para nós, porque é a partir disso que conseguiremos nos afastar da necessidade de sermos reconhecidos e aprovados pelo o outro, compreendendo que cada indivíduo possui os seus motivos pessoais para cada escolha que toma, e que apenas podemos nos apropriar daquilo que nos satisfaz ou que nos causa desprazer. Ou seja, é identificando aquilo que queremos ser que automaticamente entramos em contato com a realidade e nos afastamos das idealizações que quando não são dosadas, criam ilusões a respeito da felicidade.
Pessoas que possuem estruturas de personalidade que se formaram em lares com educações rígidas de exigências, desenvolvem a crença de que precisam constantemente satisfazer as pessoas a partir das expectativas que elas mesmas criaram a seu respeito. E na tentativa de agradá-las, buscam constantemente atingir uma excelência em todas as áreas da própria vida, ou, daquelas que mais são valorizadas e reconhecidas por aqueles que exigem tal conquista.
Esta exigência externa quando não é administrada com equilíbrio no sentido de ser motivadora, acaba sendo internalizada e se transformando em uma auto exigência. As consequências são o fortalecimento da competitividade com um fundo emocional de baixa auto estima, dificuldade de lidar com frustrações, auto punições, dificuldade de reconhecer os próprios limites e distanciamento de quem se é para atingir aquilo que acha-se que é, tendo como base o reconhecimento alheio.
Ás vezes as expectativas do outro podem ser baseadas no que ele vê como sendo melhor para nós e realmente pode fazer sentido se ele nos conhecer, contudo, é importante questionarmos se realmente queremos este modelo de vida, por mais benéfico que pareça ser, para nós. É que cada indivíduo possui as suas próprias identificações, por isso é fundamental, antes de tentar se ajustar naquilo que o outro acredita que possa ser bom para nós, analisar se realmente nos identificamos com aquela oportunidade, ou se estamos nos permitindo investir nela somente para agradá-lo ou por desconhecermos o que essencialmente queremos.
Por isso é fundamental reajustarmos o foco constantemente e identificarmos o motivo de estarmos ás vezes passando por cima dos nossos próprios limites. Assumir que não se quer ser “o melhor” é geralmente, doloroso porque significa dizer: “Eu abro mão de te agradar para me agradar” e consequentemente pode implicar em perdas de alguns benefícios secundários, contudo, é uma forma autêntica de lidar com a realidade e admitir a importância de valorizar o bem estar pessoal independente das expectativas que criaram a nosso respeito.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Você tem dificuldade de “dar o braço a torcer”? Entenda como o sentimento de inferioridade influencia na constituição do orgulho

Todo indivíduo carrega consigo o desejo de ser amado incondicionalmente, ou seja, de ser aceito do jeito que ele se apresenta ao mundo. Nosso primeiro vínculo afetivo se constrói através daquele que sana as nossas necessidades, que satisfaz as nossas angústias. Sendo assim, somos seres relacionais e buscamos constantemente vínculos onde é possível sermos acolhidos, e consequentemente, aceitos, satisfeitos de acordo com nossas necessidades e desejos tanto por aquilo que somos quanto por aquilo que temos (podemos oferecer).
Porém, quando as relações favorecem situações onde estão presentes questões que envolvem traições, substituições e enganações, deixam marcas na personalidade de quem as vivencia, e se o indivíduo foi a pessoa que se sentiu diminuída pelo outro, poderá desenvolver uma baixa auto estima, e quando recorrentes tais situações, e diante da dificuldade de compreender a realidade de uma forma saudável, poderá desenvolver núcleos psicológicos onde o sentimento de inferioridade é o que impera e rege todos os seus comportamentos.
Contudo, diante da dificuldade de aceitar as próprias limitações e compreender a realidade, e mais que isso, por ter desenvolvido uma crença disfuncional de que existe algo melhor que ele próprio, e assim ter dificuldade de compreender que a traição não significa uma troca por alguém melhor, por exemplo, poderá fazer com que o indivíduo construa inconscientemente máscaras psicológicas para não ter que lidar com o sofrimento oriundo da traição ou humilhação e do sentimento de inferioridade. É assim que surge o orgulho. Na tentativa de não ser diminuído novamente perante o outro, o indivíduo adota comportamentos de desdém, ou constrói crenças pessoais de que ele é maior e melhor que determinada pessoa, por exemplo, e que sendo assim, não irá se diminuir (demonstrar seus verdadeiros sentimentos para ela).
Na psicologia entende-se que o orgulho é uma defesa contra a sombra. A sombra corresponde a um aspecto da personalidade do indivíduo que possui comportamentos e sentimentos que não são aceitos por ele, logo, inconscientemente ele nega tais aspectos e passa a desenvolver um mecanismo para se defender deles, neste mecanismo pode então estar presente o orgulho.
Por trás daquele indivíduo que tem dificuldades de assumir o que sente ou de reconhecer as conquistas do outro, podem existir sentimentos de inferioridade consigo. Algumas pessoas sentem muita dificuldade de assumir as suas verdadeiras vontades principalmente quando elas implicam na aceitação do outro para a sua satisfação. O medo de se sentirem fracas, pequenas, humilhadas e nas “mãos do outro” faz com que elas criem jogos de “faz de conta”, ou o famoso “se fazer de difícil” para obterem o que tanto querem. Em relacionamentos o orgulho se apresenta sob a forma de negar os próprios sentimentos, dificuldade de demonstrar o que sente, vontade de se sobressair perante o outro, ignorar quem o (a) procura para se sentir desejado (a)… Esses comportamentos se relacionam sempre com outros cuja origem pode ser insegurança, medo da solidão, raiva da submissão, desejo de ter o controle sobre tudo…
O medo de novamente entrarem em contato com os sentimentos mais primitivos de submissão, traição e ou humilhação faz com que estes indivíduos não sejam autênticos consigo e automaticamente com o outro, e passem a acreditar que precisam sempre ser melhores. Ser melhor para estas pessoas corresponde a não entrar em qualquer relação que envolva qualquer possibilidade de entrega afetiva, pois para elas, as marcas do passado em contextos de submissão são tão profundas, que evitam novamente passar por isso, e como o resquício das marcas traumáticas vem acompanhado de raiva, essas pessoas tendem a querer diminuir o outro ou vê-los “correndo atrás” delas. Esta é uma forma de se convencerem de que não são inferiores, afinal, existe alguém que está implorando pela sua atenção ou que se submete à ela.
Percebe-se a partir desta compreensão que o indivíduo que tem seus comportamentos orientados pelo orgulho é ainda, embora crescido, uma criança com o orgulho ferido e que tenta através das “armas” que possui, muitas vezes infantis, fazer justiça afim de mostrar a sua ira e afirmar a sua posição existencial de suficiência no mundo, desenvolvendo comportamentos prepotentes, arrogantes, “frieza” ou distanciamento emocional e necessidade de auto afirmação que evitam em alguns momentos entrar em contato com o sentimento de inferioridade mas em contrapartida trazem novos conflitos psíquicos.
Identificar o que se sente e a origem dos sentimentos é o primeiro passo para elaborá-lo. Elaborar um sentimento vai muito além de entendê-lo, é necessário tratar as marcas deixadas na psiquê do indivíduo para que com uma nova perspectiva da situação, ele consiga construir uma nova ressignificação para ela e transformar os seus comportamentos de acordo com os novos sentimentos.
Por isso o acompanhamento psicológico é tão importante. É através da psicoterapia que o indivíduo conseguirá compreender o que sente e assim se desenvolver de uma forma mais saudável e que o satisfaz.